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R. Cardoso. Rio de Janeiro, Brasil.
Letras, UFRJ. Design, MEC.
Cinéfilo, bibliófilo. Extremamente inconveniente na maioria das vezes.


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    Às vezes sinto orgulho de saber que a Poesia Concreta começou no Brasil.
É bom ser pioneiro em algo, considerando que geralmente estamos atrasados em relação às estéticas européias
Ainda tenho que fazer aqui, um dia, um post falando só de Concretismo, tou devendo já há algum tempo!

    Às vezes sinto orgulho de saber que a Poesia Concreta começou no Brasil.

    É bom ser pioneiro em algo, considerando que geralmente estamos atrasados em relação às estéticas européias

    Ainda tenho que fazer aqui, um dia, um post falando só de Concretismo, tou devendo já há algum tempo!

    (via deepintowonderland)

    Os meus livros (que não sabem que existo)
    São uma parte de mim, como este rosto
    De têmporas e olhos já cinzentos
    Que em vão vou procurando nos espelhos
    E que percorro com a minha mão côncava.

    Não sem alguma lógica amargura
    Entendo que as palavras essenciais,
    As que me exprimem, estarão nessas folhas
    Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.

    Mais vale assim.
    As vozes desses mortos
    Dir-me-ão para sempre.

    ~ Jorge Luis Borges

    Litríocht Éireannach →

    Pra quem não sabe, um dos maiores fatores de reconhecimento da Irlanda no quadro internacional é a Literatura. E não é à toa.
    A literatura irlandesa é terceira mais antiga da Europa, estando atrás apenas daquelas em línguas clássicas (Latim e Grego).
    Não é de se surpreender, portanto, que um país tão pequeno (atualmente, pouco mais de seis milhões de habitantes — o mesmo que a cidade do Rio de Janeiro) tenha produzido quatro Nobéis de Literatura, além de outros dois dos nomes mais importantes do cânon literário mundial.
    Fiquem, então, com esse interessante Top6!

    James Joyce
    Apesar de nunca ter sido agraciado com um Prêmio Nobel, Joyce é provavelmente o autor que mais se aproxima de uma unanimidade entre críticos e leitores ao redor do mundo.
    Seu romance Ulisses é considerado um divisor de águas por inaugurar uma nova forma de fazer (e pensar!) a Literatura.
    O impacto do livro é tão grande que o dia em que seus eventos tomam parte, 16 de junho, virou feriado nacional irlandês, o chamado Bloomsday, que é considerado o único feriado do mundo dedicado a um livro que não seja a Bíblia.

    Oscar Wilde
    É o outro nome dessa lista que nunca recebeu o Nobel, mas nesse caso a explicação é simples: O prêmio só passou a ser distribuido um ano depois de sua morte, em 1901.
    Wilde é considerado o maior porta-voz da alta sociedade Vitoriana, sempre pontuando seus escritos (contos, poemas, novelas, peças de teatro e artigos) com uma ironia finíssima e um vocabulário de rara beleza, mesmo nos momentos mais esdrúxulos.
    Apesar de ser, provavelmente, o mais respeitado contista britânico e o mais prolífico dramaturgo da era vitorina, Wilde é mais conhecido hoje por seu único romance, O retrato de Dorian Gray.
    Infelizmente, apesar de seu gênio e importância para a sociedade da época, Wilde teve um fim trágico ao morrer de meningite durante uma fuga para a França, após ser condenado e aprisionado por pederastia.
    Hoje, uma estátua em sua memória deita-se displicentemente sobre uma rocha do Merrion Square, em Dublin, cidade onde nasceu.

    William Butler Yeats
    Agora sim. Esse foi o primeiro irlandês a ser agraciado por um Nobel, em 1923, antes mesmo de publicar algumas de suas grandes obras.
    Muitos críticos consideram Yeats o Picasso da literatura, dada a importância de sua obra para a evolução da arte na virada do século.
    Modernista por definição, Yeats preferiu nunca se prender a versos livres, tendo experimentado muito mais com as formas clássicas.
    Sua lírica é cheia de melodia e misticismo, principalmente em seus últimos anos de vida, nos quais o sentido parece perder a importância frente à imagética.
    Um fato curioso é que seus poemas costumam ser muito utilizado pelas mídias, tendo sido, um deles, inclusive gravado, em forma de uma belíssima canção, pela hoje primeira dama francesa Carla Bruni.
    Apesar de extensa, sua obra no Brasil foi selecionada e publicada apenas na edição bilíngue de Poemas, pela Companhia das Letras.

    George Bernard Shaw
    Você já deve ter ouvido falar de My Fair Lady, certo? Sabe, aquele musical com Audrey Hepburn que ganhou oitos Oscars e foi parodiado num episódio do Chapolin. Pois é. Esse filme é baseado na peça Pigmaleão, do G.B. Shaw, um dos maiores dramaturgos e críticos literários modernos.
    A escrita de Shaw é sempre uma profunda crítica político-social revestida de um humor que ajudou a criar a comédia moderna.
    Um ponto interessante da biografia de Shaw é quando, em 1925, ele quase recusou o Nobel, mudando de idéia sob pedidos da esposa, que o convenceu que seria uma honra para a Irlanda, tanto quanto para ele. Ainda assim, G.B. Shaw recusou o prêmio em dinheiro, que foi usado para financiar projetos de tradução literária.

    Samuel Beckett
    Becket começou a carreira literária, por assim dizer, como estudante e assistente de James Joyce e, como em toda história clichê o discípulo precisa superar o mestre, acabou recebendo o Nobel, que nunca chegou para Joyce, em 1969.
    Sempre foi um autor excencialmente experimentalista, caminhando basicamente por todos os possíveis caminhos literários, e sendo o principal nome (para alguns verdadeiramente o primeiro) do Teatro do Absurdo que, junto com as comédias de Shaw, ajudou a moldar a dramaturgia atual. Sua principal obra, Esperando Godot, é até hoje estudada por virtualmente todas as ciências humanas e correntes filosóficas, possuindo infinitas possibilidades de interpretação.
    Curiosamente, Beckett também é considerado um dos grandes nomes da literatura francesa.

    Seamus Heaney
    De todos que constam dessa lista, Heaney é o único que não nasceu em Dublin. Na verdade, ele sequer nasceu na República da Irlanda, e sim na Irlanda do Norte, porção da ilha governada pelo parlamento Inglês.
    A poesia de Heaney é extremamente lírica e costuma misturar referências gaélicas e britânicas, caminhando entre o bucolismo e a crítica social, o que garantiu seu Nobel em 1995.
    Sua grandiosa obra foi compendiada, no Brasil, na edição de Poemas da mesma coleção da Companhia das Letras que publicou a obra de Yeats.

    (via Café Irlandês)

    Cada um tem sua morena. A poesia existe porque, um dia, a morena vai embora.

    — Ferreira Gullar, em evento na Bienal do Livro.