Sobre


R. Cardoso. Rio de Janeiro, Brasil.
Letras, UFRJ. Design, MEC.
Cinéfilo, bibliófilo. Extremamente inconveniente na maioria das vezes.


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    Máquinas de escrever de escritores.
Eu fico imaginando o Thompson carregando esse monstro na mala.

    Máquinas de escrever de escritores.

    Eu fico imaginando o Thompson carregando esse monstro na mala.

    (via pafurada)

    Sempre tive certa resistência em ler coisas muito longas na tela do computador. Sempre fiz, mas nunca me senti à vontade ao fazê-lo.

    Isso mudou quando, há pouco mais de um ano, adquiri o tablet mais furreca que consegui encontrar. Parti de uma estratégia muito simples: queria algo em que pudesse ler — quanto menos recursos para distrair-me da leitura, melhor. Isso, claro barateou muito o aparelho.

    Depois disso foi só começar a caçar bons livros e aproveitar o backlight pra ler na cama, com as luzes apagadas e um chazinho na cabeceira.

    Passei a baixar livros em qualquer formato e, se necessário, converter para .epub por um programinha simples e mágico chamado Calibre, que eu vou recomendar eternamente.

    Mas achar livros pode ser uma tarefa difícil. Por isso mesmo, depois do corte “Leia mais” você confere uma coleção com NOVENTA bibliotecas de todo o mundo, onde você pode procurar e baixar seus livros favoritos — em alguns casos, até ler online!

    Não perca tempo agradecendo, clique e comece sua viagem! 

    Leia mais!

    (via historienne)

    Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo.

    — Paul Valéry

    Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café.  Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.  É que ela tem que arriscar, de alguma forma.Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.


Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico

Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

Fonte: Arquivos Olimpianos

    Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

    Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

    Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café.  Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

    É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.  É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
    Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

    Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

    Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

    Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, são mesmo.

    Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

    Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

    Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

    Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

    Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico

    Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

    Fonte: Arquivos Olimpianos

    (via historienne)

    Of course, fairy tales are transmissible.
    You can catch them, or be infected by them. They are the currency that we share with those who walked the world before ever we were here. (Telling stories to my children that I was, in my turn, told by my parents and grandparents makes me feel part of something special and odd, part of the continuous stream of life itself.) My daughter Maddy, who was two when I wrote this for her, is eleven, and we still share stories, but they are now on television or films. We read the same books and talk about them, but I no longer read them to her, and even that was a poor replacement for telling her stories out of my head.
    I believe we owe it to each other to tell stories. It’s as close to a credo as I have or will, I suspect, ever get.

    — Neil Gaiman (Fragile Things)

    O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuvaE desce refletido na poça de lama do pátio.Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,Quatro pombas passeiam.
— Manuel Bandeira

    O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuva
    E desce refletido na poça de lama do pátio.
    Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,
    Quatro pombas passeiam.

    — Manuel Bandeira

    Forma nada mais é que vazio,
    vazio nada é além de forma.
    Forma é exatamente vazio,
    e vazio é exatamente forma.

    Os outros aspectos da existência humana —
    sensações, pensamento, vontade e consciência —
    também nada são se não vazio,
    e vazio nada que não eles.

    Tudo é vazio:
    nada nasce, nada morre,
    nada é puro, nada é maculado,
    nada acresce e nada descresce.

    Assim, no vazio não há forma,
    não há sensações, não há pensamento,
    não há vontade, não há consciência.
    Não há olhos, não há ouvidos,
    não há nariz, não há língua,
    não há corpo, não há mente.
    Não há visão, não há audição,
    não há olfato, não há paladar,
    não há toque, não há conhecimento.
    Não há nada a pensar, ou a ouvir,
    ou a cheirar, ou a provar,
    ou a tocar, ou a saber.

    Não há ignorância,
    e não há o fim da ignorância.
    Não há velhice ou morte,
    e não há fim para velhice ou morte.
    Não há sofrer, causa para sofrer,
    fim do sofrer ou caminho a seguir.
    Não há construção de sabedoria,
    nem sabedoria a construir.

    O Bodhisattva existe na Perfeição da Sabedoria.
    Sem obstáculos na mente; 
    sem obstáculos o medo desaparece. 
    Para além do pensamento em ilusão, 
    este é o nirvana. 

    Todos os Budas,
    passados, presentes e futuros,
    vivem na Perfeição da Sabedoria,
    e em iluminação completa.

    A Perfeição da Sabedoria é o grandioso mantra.
    É o mantra mais claro,
    mais perfeito,
    o mantra que remove todo o sofrimento.

    Esta é a única verdade,
    e deve ser dita:

    Vá,
    Vá,
    Vá além,
    Vá além do além.
    Desperto!

    Que assim seja! 

    (via shibbo)

    Como desgraçar uma edição de Lolita →

    Aí a capa da Alfaguara pra nova edição de Lolita. Não gostei. Esse lance da editora de usar uma moldura colorida como padrão gráfico para suas capas já avacalha bastante com todas elas, mas essas bolinhas ultrapassaram o limite do aceitável. E não, não vou engolir o argumento de que “ai, estamos dando uma roupagem moderna para um clássico”. Brilho labial com aplicador era mesmo um hit na época em que o livro se passa, né? Parabéns, como capa de Lolita, saiu um ótimo Gossip Girl.

    Minha capa ideal de Lolita é só o título, numa fonte cursiva que tenha um traçado bem grosso. Amigo meu tem uma idéia mais sofisticada: um daqueles jogos de chá que as menininhas usam pra brincar de casinha, só que com os pires e as xícaras sendo usados como cinzeiro.

    Pra quem não sabe, Bryan Lee O’Malley é o criador da série de Graphic Novels Scott Pilgrim que, na minha opinião, é um dos mais vivos resumos da geração da qual eu faço parte.

    O autor canadense, nascido em 1979, atingiu o sucesso ainda jovem e quase por acaso, com um traço simples de forte influência japonesa, roteiros bem estruturados e gags visuais de caráter cinematográfico. Além disso, sua linha de referências é longa e curva, mergulhando fundo na cultura pop e respingando música, filmes e videogames por todo canto.

    Hoje ele mora com a esposa Hope Larson, também ilustradora, em Los Angeles.

    E é com permissão vinda diretamente de O’Malley que eu posto aqui a tradução exclusiva da excelente entrevista sobre seu processo criativo publicada hoje pelo autor em seu perfil na deviantART.

    Basta clicar em “Leia o post completo

    Leia mais!

    Às vezes sinto orgulho de saber que a Poesia Concreta começou no Brasil.
É bom ser pioneiro em algo, considerando que geralmente estamos atrasados em relação às estéticas européias
Ainda tenho que fazer aqui, um dia, um post falando só de Concretismo, tou devendo já há algum tempo!

    Às vezes sinto orgulho de saber que a Poesia Concreta começou no Brasil.

    É bom ser pioneiro em algo, considerando que geralmente estamos atrasados em relação às estéticas européias

    Ainda tenho que fazer aqui, um dia, um post falando só de Concretismo, tou devendo já há algum tempo!

    (via deepintowonderland)

    Os meus livros (que não sabem que existo)
    São uma parte de mim, como este rosto
    De têmporas e olhos já cinzentos
    Que em vão vou procurando nos espelhos
    E que percorro com a minha mão côncava.

    Não sem alguma lógica amargura
    Entendo que as palavras essenciais,
    As que me exprimem, estarão nessas folhas
    Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.

    Mais vale assim.
    As vozes desses mortos
    Dir-me-ão para sempre.

    ~ Jorge Luis Borges

    Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

    — Clarice Lispector