Litríocht Éireannach →Pra quem não sabe, um dos maiores fatores de reconhecimento da Irlanda no quadro internacional é
a Literatura. E não é à toa. (via Café Irlandês) |
Utilidade pública. |
Bienal do Livro — Dia III
Demorou, mas meu terceiro dia de Bienal finalmente aconteceu. Foi um dia cheio de reveses, cheio mesmo, mas vou me ater ao período que passei lá dentro, que me foi bastante produtivo. |
Bienal do Livro — Dia II
Passou mais tempo que eu planejava. Segundo meu cronograma, era pra eu ter ido esse sábado na Bienal, conferir alguns eventos, mas por motivos diversos (leia-se: preguiça), eu fui forçado a pular um dia. |
Bienal do Livro — Dia I
Sempre que uma Bienal acaba, eu começo a esperar pela próxima. Muita gente não entende, consideram os preços praticamente iguais, o que não é verdade se você souber onde procurar e exatamente o que quer – E, claro, saber pechinchar ajuda um pouco. Mas isso nem é o principal. Eu gosto mesmo da atmosfera, dos eventos, e de saber que todos estamos ali com, no fundo, a mesma intenção. |
Lembrando que os gêmeos estarão na Bienal do Rio neste sábado, às 14h, num debate junto com o Dash Shaw.
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ReleituraAcho sempre interessante como um mesmo texto pode ter níveis praticamente opostos dependendo da finalidade da leitura. Eu gosto — e não faço tanto quanto gosto — de ler um texto (conto, livro, poema) no mínimo dos mínimos duas vezes. A primeira leitura é sempre de reconhecimento, você nunca pesca tudo que nada entre as letras. É uma leitura mecânica na qual as palavras são, quase sempre, palavras e, embora haja, sim, um desvelamento, nada atravessa o leito do rio. Largar um texto na primeira leitura é abrir uma caixa de lego, olhar as peças e guardar outra vez. Pra construir, de verdade, o sentido, você precisa encaixar as peças. Olhar as palavras e enxergar os conceitos. Por isso todo texto é (por exigência) detetivesco. Pelo menos todo bom texto. Se o sentido puder ser depreendido de primeira, tem algo errado, algo faltando. Infelizmente, aqui estão enquadrados 90% dos best-sellers Me interessa (assim, oblíquo, mesmo) a outra margem. E, como todo exercício físico, nadar até ela exige esforço e é compensado pela sensação de euforia ao final. Parar aqui já seria o suficiente. Só que o suficiente sempre é pouco. Eu nunca — repito: nunca! — montei um conjunto de lego como as instruções mandavam e deixei pra lá. Acho que ninguém fez isso. Era minha parte favorita reorganizar as peças, recriar aquilo de uma forma mais divertida ou mais instável. Esse, sim, é o primeiro trabalho realmente ativo na relação com o texto. É o trabalho de autoria inerente ao leitor, quando não basta um texto ser bom, mas há a exigência, também, de um bom leitor. Uma das coisas mais comuns é leitores medíocres transformando textos maravilhosos em merda. Conheço pessoas que conseguiram a proeza de odiar Fausto. Esse trabalho analítico exige minúcia e paciência, com autor e leitor. Não se chega à terceira margem sem, pelo menos, uma canoa e um remo. Mas valeria a pena, se fosse, de fato, penoso. Não é. Como no sexo, a hora de mais prazer segue-se à de maior esforço. Agora, combinar esses processos de leitura com um fim, seja ele qual for, produz os mais interessantes resultados. Recentemente reli dois de meus autores favoritos com o objetivo de falar especificamente sobre o que li, não em troca de uma nota ou comentário, mas apenas como chance de divulgar minha opinião sobre esses autores e, cara, que prazer é passar por isso. Os textos estavam novos, frescos, como se eu nunca os houvesse lido, embora soubesse muitos de cor. É uma magia estranha, essa. Uma magia ancestral e inexplicável. Enquanto você devora o texto, é ele que te deglute e cospe de volta, com novos olhos. Queria poder fazer uma analogia bonita aqui, mas penso que já gastei minha cota prum post de blog, então acho melhor ficar por aqui antes que eu xingue meu próprio pedantismo. |


