Vamos brincar de traduzir
Há algum tempo eu ganhei de uma namorada (que nem foi das melhores) uma edição bilíngue de um livro de poesia do Bukowski. Não era das melhores. Bem, a edição até era, com alta gramatura e verniz na capa e na quarta. Tinha uma foto de uma garrafa, claro. O que não era das melhores, mesmo, era a tradução. Isso irrita um pouco, sabe? O público alvo de edições bilíngues costuma ser o que entende a língua original (ou a está estudando), mas ainda assim está interessado em ter uma boa tradução (ou precisa pra entender o que não souber). Colocar uma péssima — porque era péssima, quando eu disse que não era das melhores eu estava sendo bonzinho — tradução bem ao lado do texto original exige uma caradepaugem sem tamanhos. Entenda, eu não estou reclamando de uma tradução que usa um sinônimo que eu não usaria, estou reclamando de um nome no original ser “Hunk” e na tradução virar magicamente “Henry”; estou reclamando de “4:30” se transformar sem qualquer motivo aparente em “quatro e meia”; de “gotten away with” materializar-se num inexplicável “joguei fora”. Ver um “people” traduzido para “pessoa” é até passável por extensão de sentido, mas quando vira “uma pessoa” o copo transborda. |

