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Pra quem não sabe, um dos maiores fatores de reconhecimento da Irlanda no quadro internacional é
a Literatura. E não é à toa.
A literatura irlandesa é terceira mais antiga da Europa, estando atrás apenas daquelas em línguas
clássicas (Latim e Grego).
Não é de se surpreender, portanto, que um país tão pequeno (atualmente, pouco mais de seis
milhões de habitantes — o mesmo que a cidade do Rio de Janeiro) tenha produzido
quatro Nobéis de Literatura, além de outros dois dos nomes mais importantes do cânon
literário mundial.
Fiquem, então, com esse interessante Top6!
James Joyce
Apesar de nunca ter sido agraciado com um Prêmio Nobel, Joyce é provavelmente o autor que mais se
aproxima de uma unanimidade entre críticos e leitores ao redor do mundo.
Seu romance Ulisses é considerado um
divisor de águas por inaugurar uma nova forma de fazer (e pensar!) a Literatura.
O impacto do livro é tão grande que o dia em que seus eventos tomam parte, 16 de junho, virou
feriado nacional irlandês, o chamado Bloomsday, que é considerado o único feriado do mundo
dedicado a um livro que não seja a Bíblia.
Oscar Wilde
É o outro nome dessa lista que nunca recebeu o Nobel, mas nesse caso a explicação é simples: O
prêmio só passou a ser distribuido um ano depois de sua morte, em 1901.
Wilde é considerado o maior porta-voz da alta sociedade Vitoriana, sempre pontuando seus escritos
(contos, poemas, novelas, peças de teatro e artigos) com uma ironia finíssima e um vocabulário de
rara beleza, mesmo nos momentos mais esdrúxulos.
Apesar de ser, provavelmente, o mais respeitado contista britânico e o mais prolífico dramaturgo
da era vitorina, Wilde é mais conhecido hoje por seu único romance, O retrato de
Dorian Gray.
Infelizmente, apesar de seu gênio e importância para a sociedade da época, Wilde teve um fim
trágico ao morrer de meningite durante uma fuga para a França, após ser condenado e aprisionado
por pederastia.
Hoje, uma estátua em sua memória deita-se displicentemente sobre uma rocha do Merrion Square, em
Dublin, cidade onde nasceu.
William Butler Yeats
Agora sim. Esse foi o primeiro irlandês a ser agraciado por um Nobel, em 1923, antes mesmo de
publicar algumas de suas grandes obras.
Muitos críticos consideram Yeats o Picasso da literatura, dada a importância de sua obra para a
evolução da arte na virada do século.
Modernista por definição, Yeats preferiu nunca se prender a versos livres, tendo experimentado
muito mais com as formas clássicas.
Sua lírica é cheia de melodia e misticismo, principalmente em seus últimos anos de vida, nos
quais o sentido parece perder a importância frente à imagética.
Um fato curioso é que seus poemas costumam ser muito utilizado pelas mídias, tendo sido, um
deles, inclusive gravado, em forma de uma belíssima canção, pela hoje primeira dama francesa
Carla Bruni.
Apesar de extensa, sua obra no Brasil foi selecionada e publicada apenas na edição bilíngue de Poemas, pela Companhia das Letras.
George Bernard Shaw
Você já deve ter ouvido falar de My Fair Lady, certo? Sabe, aquele musical com Audrey
Hepburn que ganhou oitos Oscars e foi parodiado num episódio do Chapolin. Pois é. Esse filme é
baseado na peça Pigmaleão, do G.B. Shaw, um dos
maiores dramaturgos e críticos literários modernos.
A escrita de Shaw é sempre uma profunda crítica político-social revestida de um humor que ajudou
a criar a comédia moderna.
Um ponto interessante da biografia de Shaw é quando, em 1925, ele quase recusou o Nobel, mudando
de idéia sob pedidos da esposa, que o convenceu que seria uma honra para a Irlanda, tanto quanto
para ele. Ainda assim, G.B. Shaw recusou o prêmio em dinheiro, que foi usado para financiar
projetos de tradução literária.
Samuel Beckett
Becket começou a carreira literária, por assim dizer, como estudante e assistente de James Joyce
e, como em toda história clichê o discípulo precisa superar o mestre, acabou recebendo o Nobel,
que nunca chegou para Joyce, em 1969.
Sempre foi um autor excencialmente experimentalista, caminhando basicamente por todos os
possíveis caminhos literários, e sendo o principal nome (para alguns verdadeiramente o primeiro)
do Teatro do Absurdo que, junto com as comédias de Shaw, ajudou a moldar a dramaturgia atual.
Sua principal obra, Esperando Godot, é até
hoje estudada por virtualmente todas as ciências humanas e correntes filosóficas, possuindo
infinitas possibilidades de interpretação.
Curiosamente, Beckett também é considerado um dos grandes nomes da literatura francesa.
Seamus Heaney
De todos que constam dessa lista, Heaney é o único que não nasceu em Dublin. Na verdade, ele
sequer nasceu na República da Irlanda, e sim na Irlanda do Norte, porção da ilha governada pelo
parlamento Inglês.
A poesia de Heaney é extremamente lírica e costuma misturar referências gaélicas e britânicas,
caminhando entre o bucolismo e a crítica social, o que garantiu seu Nobel em 1995.
Sua grandiosa obra foi compendiada, no Brasil, na edição de Poemas da
mesma coleção da Companhia das Letras que publicou a obra de Yeats.
(via Café Irlandês)
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