Sobre


Rodrigo Cali. Rio de Janeiro, Brasil.
Letras, UFRJ. Design, MEC.
Cinéfilo, bibliófilo. Extremamente inconveniente na maioria das vezes.


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A vida é feita de muitas buscas. Parece que não importa em que lugar do tempo estejamos, estamos sempre em busca de outro — passado ou futuro.
Não raro, fugimos das pessoas que amamos ao buscarmos nós mesmos, como se um espelho não bastasse para lembrar-nos quem somos. Isso porque geralmente buscamos ser alguém que não somos.
Buscamos, de uma forma estabanada, a felicidade. Fazemos dela meta e, com isso, acabamos colocando-a longe, como toda boa meta. Talvez mais longe que deveria estar se não a buscássemos, de fato. Como quando encontramos o par perdido daquela velha meia ao procurar o controle remoto, sabe?
Falando em par, o amor talvez seja uma das coisas que mais busquemos. E fazemos isso mesmo sabendo que podemos encontrá-lo em nós mesmos, sem fazer o menor esforço. No fundo, queremos apenas encontrar a auto-satisfação de saber que alguém encontrou em nós o que buscava.
Nenhuma busca, entretanto, é tão frenética e infrutífera quanto a busca pelo gosto do cheiro do café. O que há de errado na ordem natural das coisas para que um cheiro tão bom não possua um gosto que lhe faça jus? Misturamos todo o tipo de coisa — rum, chocolate, chantilly — na esperança de transformar aquele cheiro num gosto. Mas nada, absolutamente nada, adianta.
Nessas horas de frustração absoluta, lembro da cena em que o Mouse diz que as máquinas talvez não soubessem o gosto de tudo e, nesse instante, apenas nesse preciso instante, eu tenho certeza absoluta de que, tendo o café como prova, vivemos na Matrix.

  1. ilusionarium posted this