Sobre


Rodrigo Cali. Rio de Janeiro, Brasil.
Letras, UFRJ. Design, MEC.
Cinéfilo, bibliófilo. Extremamente inconveniente na maioria das vezes.


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(Source: anyaottoni)

Cabeceira.

Cabeceira.

(Source: olhasoisso)


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Planos de Papel — Alcione (Letra de Raul Seixas)

Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo.

— Paul Valéry

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café.  Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.  É que ela tem que arriscar, de alguma forma.Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

 
Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
 
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura
 
Fonte: Arquivos Olimpianos

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café.  Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.  É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico

Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

Fonte: Arquivos Olimpianos

Of course, fairy tales are transmissible.
You can catch them, or be infected by them. They are the currency that we share with those who walked the world before ever we were here. (Telling stories to my children that I was, in my turn, told by my parents and grandparents makes me feel part of something special and odd, part of the continuous stream of life itself.) My daughter Maddy, who was two when I wrote this for her, is eleven, and we still share stories, but they are now on television or films. We read the same books and talk about them, but I no longer read them to her, and even that was a poor replacement for telling her stories out of my head.
I believe we owe it to each other to tell stories. It’s as close to a credo as I have or will, I suspect, ever get.

— Neil Gaiman (Fragile Things)

O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuvaE desce refletido na poça de lama do pátio.Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,Quatro pombas passeiam.
— Manuel Bandeira

O arranha-céu sobe no ar puro lavado pela chuva
E desce refletido na poça de lama do pátio.
Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa,
Quatro pombas passeiam.

— Manuel Bandeira

“Qualquer tolo inteligente pode fazer coisas maiores, mais complexas e mais violentas. Mas é necessário um toque de gênio — e muita coragem! — para mover-se na direção oposta.”

“Qualquer tolo inteligente pode fazer coisas maiores, mais complexas e mais violentas. Mas é necessário um toque de gênio — e muita coragem! — para mover-se na direção oposta.”

Forma nada mais é que vazio,
vazio nada é além de forma.
Forma é exatamente vazio,
e vazio é exatamente forma.

Os outros aspectos da existência humana —
sensações, pensamento, vontade e consciência —
também nada são se não vazio,
e vazio nada que não eles.

Tudo é vazio:
nada nasce, nada morre,
nada é puro, nada é maculado,
nada acresce e nada descresce.

Assim, no vazio não há forma,
não há sensações, não há pensamento,
não há vontade, não há consciência.
Não há olhos, não há ouvidos,
não há nariz, não há língua,
não há corpo, não há mente.
Não há visão, não há audição,
não há olfato, não há paladar,
não há toque, não há conhecimento.
Não há nada a pensar, ou a ouvir,
ou a cheirar, ou a provar,
ou a tocar, ou a saber.

Não há ignorância,
e não há o fim da ignorância.
Não há velhice ou morte,
e não há fim para velhice ou morte.
Não há sofrer, causa para sofrer,
fim do sofrer ou caminho a seguir.
Não há construção de sabedoria,
nem sabedoria a construir.

O Bodhisattva existe na Perfeição da Sabedoria.
Sem obstáculos na mente; 
sem obstáculos o medo desaparece. 
Para além do pensamento em ilusão, 
este é o nirvana. 

Todos os Budas,
passados, presentes e futuros,
vivem na Perfeição da Sabedoria,
e em iluminação completa.

A Perfeição da Sabedoria é o grandioso mantra.
É o mantra mais claro,
mais perfeito,
o mantra que remove todo o sofrimento.

Esta é a única verdade,
e deve ser dita:

Vá,
Vá,
Vá além,
Vá além do além.
Desperto!

Que assim seja! 

Sobre constrangimentos →

(via aclavedefa)

Há semanas o personagem do deputado Jair Bolsonaro aparece aqui e ali no noticiário protagonizando pérolas de intolerância de teores…Impressionantes. Não é novidade para aqueles minimamente politizados que Bolsonaro e seus filhos são figuras antigas no cenário político brasileiro, há anos prestam desserviços sociais pró-preconceito racial e sexual.

Só que HOJE eu fiquei sabendo do que, para mim, foi a gota d’agua. Já tinha achado revoltante e ridículo quando ele chamou na televisão os gays de pedófilos e os negros de promíscuos, mas hoje…Hoje ele chegou aos píncaros do absurdo.

Jair Bolsonaro mandou imprimir e distribuir cinquenta mil panfletos de teor intolerante contra os homossexuais NAS ESCOLAS DO RIO DE JANEIRO. Nas escolas. Na porta das escolas. Para MENORES DE IDADE.

Como professora isso me deixa particularmente revoltada e enojada. 

Dentro das escolas há um trabalho contra a intolerância profundo e delicado. Procuramos ajudar a exterminar (ou “minimizar ao máximo”) o preconceito de qualquer tipo: racismo, discriminação a orientações sexuais diferentes, aparência física, deficiência física, etnia, classe social…Tantas características humanas que são alvo de ódio infundado. Trabalhamos duro para que nossos alunos sejam pessoas socialmente integradas, cidadãos respeitosos, almas tolerantes e pacíficas. É TÃO DIFÍCIL acabar com o preconceito NUMA ÚNICA SALA DE AULA…Se vocês soubessem. Leva tanto tempo para desconstruir certas coisas na cabeça dessas pessoinhas, custa tanto fazer com que os horizontes de nossos alunos se expandam…

…Aí vem um desgraçado desses, um imbecil maldito e dá pros meus alunos um documento (SIM, UM DOCUMENTO) incitando o ódio, a intolerância e a violência. Rotulando pessoas pejorativamente, construindo o preconceito social em mentes tão jovens! Fazendo a sociedade dar tantos de passos atrás com um simples panfleto. 

As pessoas devem ser estimuladas a conhecer as coisas e, a partir do conhecimento, fazer suas escolhas. Homo, hétero, transex, pansex, cortinasex, árvoresex, panelasex, chuveirosex, preto, branco, amarelo, vermelho, azul, verde, pobre, rico, muito pobre, muito rico, europeu, asiático, latinoamericano, gordo, magro…Não matando, não roubando, não prejudicando alguém, o que mesmo você tem a ver com isso?

Eu não posso ser maluca. Não pode ser tão difícil assim achar que as diferenças são só…Diferenças. Irrelevantes na big picture. Se uma pessoa é boa, se ela pratica o bem, se educa seus filhos, se não mata, não rouba, não frauda…Toma banho, come, faz xixi, faz cocô, gosta de doce, gosta de salgado, dorme, acorda, trabalha, estuda…Gente, CADÊ O PROBLEMA? NÃO TÔ VENDO. Não tô vendo pq ele NÃO EXISTE. É tipo a roupa invisível do rei, sabe? Um monte de gente fazendo “Oooh!” pra roupa e eu “Bicho, o rei tá pelado.”

O mundo não teria graça se fôssemos todos iguais. Tá todo mundo no mesmo barco, tá todo mundo indo pra mesma cova. Pq não fazer essa jornada mais aceitável? Pq não desencanar se o cara na poltrona do lado é um panelasex azul e engrenar num papo legal com ele e descobrir toooooda uma nova e interessante visão de mundo, que você pode até não concordar, mas até aí tá no direito…

Um comercial antigo de cigarro falava, eu parafraseio: Cada um na sua.

Não machuca.

(Fonte: http://j.mp/k0VuFt)

(Source: kiiroikeshi)

(Source: joovargas)

Como desgraçar uma edição de Lolita →

Aí a capa da Alfaguara pra nova edição de Lolita. Não gostei. Esse lance da editora de usar uma moldura colorida como padrão gráfico para suas capas já avacalha bastante com todas elas, mas essas bolinhas ultrapassaram o limite do aceitável. E não, não vou engolir o argumento de que “ai, estamos dando uma roupagem moderna para um clássico”. Brilho labial com aplicador era mesmo um hit na época em que o livro se passa, né? Parabéns, como capa de Lolita, saiu um ótimo Gossip Girl.

Minha capa ideal de Lolita é só o título, numa fonte cursiva que tenha um traçado bem grosso. Amigo meu tem uma idéia mais sofisticada: um daqueles jogos de chá que as menininhas usam pra brincar de casinha, só que com os pires e as xícaras sendo usados como cinzeiro.

I really like Christmas.
It’s sentimental, I know, but I just really like it.
I am hardly religious,
I’d rather break bread with Dawkins than Desmond Tutu, to be honest;


And yes, I have all of the usual objections
to consumerism, the commercialisation of an ancient religion,
to the westernisation of a dead Palestinian
press-ganged into selling Playstations and beer
— But I still really like it.

— Tim Minchin